Manejo Integrado do Fogo: convivendo com o fogo de forma consciente no Cerrado
O Manejo Integrado do Fogo é uma estratégia que une ciência, saberes tradicionais e ação comunitária para prevenir grandes incêndios e proteger o Cerrado. Neste texto, explicamos como o uso consciente e planejado do fogo pode reduzir riscos, fortalecer os ecossistemas e apoiar o trabalho das brigadas voluntárias na preservação ambiental.
1/13/20263 min read


O fogo sempre fez parte da dinâmica natural do Cerrado e também da relação histórica entre as pessoas e o território. No entanto, o uso inadequado e os incêndios fora de controle têm causado impactos severos ao meio ambiente, à biodiversidade e às comunidades. Diante desse cenário, surge o Manejo Integrado do Fogo (MIF) como uma estratégia moderna, responsável e baseada no conhecimento científico e tradicional.
O Manejo Integrado do Fogo é uma abordagem que vai além do simples combate a incêndios. Ele propõe o planejamento e a gestão do fogo considerando fatores ecológicos, sociais, culturais, econômicos e técnicos. A ideia central é compreender que o fogo pode ser tanto um problema quanto uma ferramenta, dependendo de como, quando e onde é utilizado.
Essa estratégia reconhece que, em biomas como o Cerrado, muitos ecossistemas são adaptados ao fogo. Quando ocorre de forma planejada e em períodos adequados, o fogo pode contribuir para a renovação da vegetação, a redução do material combustível acumulado e a diminuição do risco de grandes incêndios severos. Por outro lado, incêndios intensos, frequentes ou fora da época correta causam degradação ambiental, perda de fauna, erosão do solo e aumento das emissões de gases de efeito estufa.
O Manejo Integrado do Fogo se apoia em três pilares fundamentais: a ecologia do fogo, que estuda como o fogo interage com os ecossistemas; a cultura do fogo, que valoriza os saberes e práticas tradicionais das comunidades locais; e o manejo do fogo, que envolve técnicas seguras de prevenção, uso controlado e combate aos incêndios indesejados. A integração desses elementos permite decisões mais eficientes e adaptadas à realidade de cada território.
No Cerrado, onde o risco de incêndios aumenta durante a estação seca, o MIF é essencial para reduzir danos ambientais e sociais. Ele inclui ações como o monitoramento de áreas sensíveis, o planejamento de queimas prescritas, a capacitação de brigadas, a conscientização da população e a articulação entre comunidades, órgãos ambientais e instituições parceiras.
As brigadas voluntárias têm papel central nesse processo. São elas que atuam diretamente no território, participam da prevenção, do combate inicial aos focos de incêndio e da educação ambiental. Além disso, o Manejo Integrado do Fogo incentiva o protagonismo local, reconhecendo que quem vive na área possui conhecimento valioso sobre o comportamento do fogo e as características da paisagem.
Outro aspecto importante do MIF é o olhar para além do incêndio em si. A estratégia também contempla a análise das causas do fogo, a redução de riscos antes do período crítico, a prontidão para resposta rápida, o combate eficiente quando necessário e as ações de recuperação das áreas afetadas após os incêndios.
Mais do que uma técnica, o Manejo Integrado do Fogo é uma mudança de perspectiva. Ele propõe aprender a conviver com o fogo de forma consciente, planejada e responsável, protegendo a biodiversidade, os modos de vida locais e o futuro do Cerrado. Para a Brigada Voluntária Sucupira, essa abordagem reforça o compromisso com a educação ambiental, a preservação do bioma e a construção de soluções coletivas para a proteção da natureza.




